FESTA TRAMA / CASA DE SERRALVES
23H00 PEDRO TUDELA [DJ]
00H00 MORITZ VON OSWALD (basic channel; rhythm & sound) feat. TIKIMAN
01H00 YOU GO! [DJ]
01H30 WIPEOUT
02H30 YOU GO! [DJ]
03H00 SILVERIO
04H00 GD LUXXE
MÚSICA
5€
PEDRO TUDELA
Depois de vários anos de trabalho em que a pintura foi o seu suporte dominante, Pedro Tudela tem vindo a utilizar o som como material preferencial de muitos dos seus projectos da última década. Na sua materialidade ou representação, o som surge como ponto de partida para a redefinição conceptual e formal do objecto escultórico, pictórico, ou videográfico, para além do uso diferenciado que o artista dele faz nas suas actividades paralelas de composição, improvisação, performance e DJing, na sua maioria desenvolvidas com o colectivo @C. O fascínio e a prática da experimentação no âmbito da música electrónica, o seu domínio de conhecimentos no campo das linguagens musicais contemporâneas, propiciam-lhe um contexto para o cruzamento de interferências entre o som, a música e as artes visuais. Assim, Pedro Tudela tem mantido nas últimas décadas uma presença constante no panorama português da música electrónica. Em 1992, por ocasião da exposição mute...life, Pedro Tudela, Alex Fernandes, Nuno Tudela e Pedro Almeida criaram o colectivo multimédia mute life dept. [MLd], onde se fundiam arte, tecnologia, performance, bandas sonoras, sampling e vários conceitos multimédia. O trabalho no âmbito da música electrónica foi continuado pelo trabalho desenvolvido com o trio de laptops @c, um projecto iniciado no ano 2000 com Pedro Almeida e Miguel Carvalhais e também pelas suas regulares sessões como DJ que trouxeram em primeira mão à noite do Porto sonoridades como o dub techno de Berlim.

Discografia seleccionada:
Pedro Tudela
Là Où je Dors, CD, (Crónica Electrónica, 2003)
Sobre, catálogo de exposição c/ CD (Museu de Arte Contemporânea de Serralves, 2004)

Mute Life Dept.z
MLd step v v” vinylvideo • remediation, (Vinylvideo, 1999)
Still OST, CD, (Galeria Canvas & Companhia, 1998)
Mute... Life, CD, (Galeria Atlântica / Nasoni, 1992)

@C
+, CD, (Variz, 2001)
Hard Disk, CD, (Crónica Electrónica, 2003)
v3, CD, (Crónica Electrónica, 2004)
Folio, recompiled compositions 2003&4, CD, (Fuga Discos, 2005)
48, CD, (Ristretto, 2005)
42/44, CD, (Silence Is Not Empty, 2006)
Study, CD, (Grain of Sound, 2006)
65, CD, (post.disco, 2007)
Up, Down, Charm, Strange, Top, Bottom, CD, (Crónica Electrónica, 2008)
48EDE, CD, (Ristretto, 2008)

http://pedrotudela.org/
http://www.virose.pt/tudela/
MORITZ VON OSWALD (Rhythm & Sound, Basic Channel) feat. TIKIMAN
Moritz von Oswald é justamente reconhecido como um dos principais e mais importantes produtores de techno dos anos 90. Após passagem pelos Palais Schaumburg nos anos 80 enquanto baterista, von Oswald dedica-se à música electrónica, vindo a formar com Mark Ernestus o duo e editora discográfica Basic Channel, contribuindo de forma substancial para a consolidação do eixo Berlim/Detroit de techno minimal, onde podemos situar outros artistas como Rob Hood, Jeff Mills ou Mike Banks. Para a história da música de dança, Moritz von Oswald terá sempre um lugar cativo enquanto fundador da estética de dub-techno que viria a exercer uma influência determinante no trabalho de músicos como Richie Hawtin (Plastikman), Thomas Brinkmann, Robert Henke (Monolake), Wolfgang Woigt e toda uma série de artistas que passaram pelas várias editoras subsidiárias da Basic Channel, como a Chain Reaction, Main Street e mais recentemente a Burial Mix. No projecto Rythm & Sound, vemos von Oswald e Ernestus afastarem-se das cadências 4/4 do techno para explorarem o fascínio pelos ecos graves, profundos e atmosféricos do dub. Aproximam-se mais do reggae e dub vocal, contando com a participação de lendas do dancehall como Sugar Minott e a notável contribuição do vocalista natural da ilha de Dominica Paul St. Hilaire, mais conhecido como Tikiman, que seria a primeira voz a embarcar na aventura Rhythm & Sound. Tikiman fundaria também ele uma editora subsidiária da Basic Channel, a False Tuned, e viria a ser chamado a colaborar com outros nomes maiores da música electrónica de dança como Modeselektor, Mikkel Metal, The Bug e Stereotyp.

Discografia Seleccionada:
Basic Channel
Cyrus Enforcement (BC, 1993)
Phylyps Trak (BC, 1993)
Quadrant Q 1.1 (BC, 1993)
Cyrus Inversion (BC, 1994)
Quadrant Dub (BC, 1994)
Basic Channel Octagon / Octaedre (BC, 1994)
Radiance I / II / III (BC, 1994)
Phylyps Trak II (BC, 1994)
Basic Channel BCD (BC, 1995)
Basic Channel Basic Reshape (BC, 2004)
Quadrant Infinition/Hyperism (BC, 2004)
Basic Channel BCD-2 (2008)

Burial Mix
Rhythm & Sound w/ Paul St. Hilaire Showcase CD (BM, 1996)
Rhythm & Sound w/ The Artists Rhythm & Sound w/ The Artists CD (BM, 2003)
Rhythm & Sound The Versions CD (BM, 2003)
Rhythm & Sound See Mi Ya 7” box/ CD (BM, 2005)
Rhythm & Sound See Mi Ya Remixes CD (BM, 2006)

outros
Vários ...Compiled (Chain Reaction, 1998)
Rhythm & Sound Rhythm & Sound (Rhythm & Sound, 2001)
Maurizio M Series (Maurizio, 2003)
Paul St. Hilaire Unspecified (False Tuned, 2003)
Paul St. Hilaire Adsom - A Divine State Of Mind (False Tuned, 2006)
Vários Basic Replay (Basic Replay, 2007)
Paul St. Hilaire Drifting Along / So Sure (False Tuned, 2008)

www.myspace.com/burialmix
www.myspace.com/basicchannel
basicchannel.com/
WIPEOUT
Os Wipeout foram fundados em 1992 e desde logo se posicionaram num local estranho em que o fulgor da música pop electrónica e a agressividade visceral da experimentação de tónica industrial se hibridizam tecendo uma rede orgânica disruptiva sobre a matriz estrutural prescrita da música de dança.
Com Wipeout experimenta-se o electro-romantismo onde se fundem as sonoridades Euro-disco à la Pet Shop Boys com os baixos robustos do techno, atravessadas pela voz aveludada de Didi Bruckmayr, oscilante entre o glamour e o hardcore. Wipeout transporta-nos a um universo perdido entre Querelle de Fassbinder, o mais famoso filme de marinheiros, e as emoções coloridas em tons saturados e ébrios de um clube nocturno bas-fond. As influências que regem este abismo emocional vão desde os sonhos eléctricos de Giorgio Moroder à languidez vocal de Scott Walker. Visualmente sedutor, estranhamente enternecedor.

Discografia seleccionada:
Come Into My Biomechanical Loveboat, CD, (Angry Sun Records, 1993)
Swamps Of Happiness, CD/LP, (CCP Records, 1995)
Saliva, CD, (CCP Records, 1996)
Country & Western, CD, (Lethal Records, 1997)
Nestroy.SetNewParameters, CD, (Extraplatte, 2001)
Anthems For the Underachievers, CD, (Angelika Kohlermann, 2002)
Black Light District Boys, CD+LP, (Trost Records, Klanggalerie, 2004)

www.myspace.com/wipeoutofficial
www.fuckhead.at/wipeout
angelika.koehlermann.at"

YOU GO! (PT)
You Go! (Hugo Oliveira) rege-se por um forte sentido de liberdade, patente na facilidade com que utiliza novos alter-egos para defrontar novas aventuras. Consciente da prisão que representa um nome gravado num bilhete de identidade aproveita todas as oportunidades para usufruir do poder de escolha.
Participa activamente na ‘banda-sonora’ da cidade do Porto, Lisboa, e arredores, sendo um dos membros fundadores do Muesli Colectivo - trio fundado na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto que contou com a inspiração multi-disciplinar da instituição em questão. Tem marcado presença em alguns projectos visuais/sonoros como os festivais BRG, Trama, Hangar, HI-TECA, e as noites Oportunista. Paralelamente desenvolve projectos gráficos/visuais.
Tendo consciência de todas as camadas sonoras num bolo social, You Go! reserva para os intervalos deste TRAMA selecções musicais com 30 minutos cada, oportunidades de reconciliação entre gregos e troianos.

www.serge-against-bourg.net
www.o-i-r.org
www.oportunista.org

SILVERIO
Silverio é uma personagem criada por Julian Lede, fundador, com o artista visual Carlos Amorales, da editora Nuevos Ricos. Silverio é originário de Chilpancingo e chega à cidade do México aos 16 anos em busca de tudo o que o ‘artista’ procura: a fama, a fortuna, a luxúria, etc. Em 2001 arrancava a sua carreira, primeiro como estrela underground da editora Suave, para mais tarde, em 2004, se associar à Nuevos Ricos, cujo lema ‘working class today… tomorrow Nuevos Ricos’ entrava em sintonia com a ironia e controvérsia associada à figura da estrela latino-americana, do cantor super-herói. Apesar de ancorada no contexto específico mexicano, a crítica dirige-
-se ao novo-riquismo cultural em geral, também conhecido como ‘in gold we trust’. Aliás, o projecto editorial Nuevos Ricos, cuja designação nasce exactamente da paródia às lamentações dos artistas de hoje quando se queixam que as suas obras apenas são compradas por novos ricos, surge como plataforma para expor as ideias radicais deste colectivo de artistas sobre performance, espectáculo e posições políticas.
O extravagante one man show de Silverio conhece poucos limites no que respeita à ousadia, podendo mesmo roçar o ridículo. No entanto, ele transporta em si o sublinhar de um carácter divertido, alimentado por um humor negro e perverso, que aspira impôr-se contra o estatuto cool de muita da música electrónica e até mesmo contra a solenidade dos novos punks. Assim Silverio pretende, como seu electro-exagero reabilitar o flanco mais divertido do rock como veí-culo de uma vitalidade e irreverência em perigo.

www.myspace.com/silverionuevosricos
www.nuevosricos.com
GD LUXXE (Gerhard Potuznik)
GD Luxxe é um dos muitos alter-egos usados pelo músico austríaco Gerhard Potuznik, cuja carreira teve início nos anos 80. Para além de uma extensa carreira a solo, Potuznik conta com inúmeras colaborações, destacando-se entre estas os trabalhos com Patrick Pulsinger (que deram origem a uma série de populares 12" lançados na mítica Cheap Records), Electronicat, Adult, Hanz Platzgummer (no projecto Cube & Sphere), com o fundador da editora Mego Ramon Bauer (no projecto Sluta Leta) ou com o escritor Max Goldt para o seu álbum Concorde+. Potuznik é igualmente reconhecido pelo seu trabalho como produtor e membro das Chicks on Speed, e responsável pela editora Angelika Koehlermann, onde convivem as estéticas low-fi e synth-electropop.
Gerhard Potuznik é, por direito próprio, representante maior de uma electrónica que tem tanto de delicado como de perturbante, e é com a designação GD Luxxe que Potuznik deixa territórios musicais mais remotos para uma conquista efectiva do universo electro, com edições disseminadas por várias editoras como a Interdimensional Transmissions, Suction Records, Breakin' ou Ersatz Audio, assumindo um lugar de topo com os incontornáveis Vendetta e Between Zero and Eternity. O seu disco Make, lançado na Tigerbeat, continua a ecoar em muitos ouvidos, abençoando a relação entre os instrumentos analógicos e a tecnologia digital. O potencial da música pop electrónica para se dirigir ao corpo, mente e emoções é trabalhado por forma a apontar em direcções múltiplas. Apesar das estruturas sólidas e aparentemente clássicas os resultados são tão surpreendentes como desconcertantes. Em Crave, o seu mais recente esforço pela Angelika Koehlermann, Potuznik mistura o poder do electropop de temas antigos inéditos e actualizados com algumas versões dos Sisters Of Mercy e Joe Crow.

Discografia seleccionada:
Submission (CD), Breakin' Records, 1999
Vendetta (CD), Suction Records, 2002
The 21st Door (CD), Interdimensional Transmissions, 2003
Between Zero And Eternity (CD), Ersatz Audio, 2004
Make (CD), Tigerbeat6, 2005
Crave (CD), Angelika Koehlermann, 2008

www.gdluxxe.com
www.myspace.com/gdluxxe