TRAMA @ ANTIGO EDIFÍCIO DA RDP

23H00-03h00 - SIGMUND SKARD (Projecções de vídeo-performances)
23h00-03h00 - INSTITUT FÜR FEINMOTORIK (Projecção vídeo)
23h30 - Black Vulva | TORI WRÅNES (Performance)
23h50 - Gaffawalk | SIGMUND SKARD (Performance)
00h00 - INSTITUT FÜR FEINMOTORIK (Concerto)
01h15 - Hello Glossolalia | TORI WRÅNES (Performance)
01h45 - Air Transport 2 | SIGMUND SKARD (Performance)
02h00 - HHY & THE MACUMBAS (Concerto)

Gratuito
HHY & THE MACUMBAS
HHY & The Macumbas são constituídos pelo multi-instrumentista e produtor Jonathan Uliel Saldanha (HHY), membro da editora/colectivo Soopa, e pelo trompetista Álvaro Almeida (F.R.I.C.S.), o percussionista João Filipe (F.R.I.C.S.) e o baixista Rui Leal (Besta Bode).

O trabalho de HHY manifesta-se em numerosas formações e linguagens (o dub apocalíptico dos Mécanosphère, o psicadelismo marcial da F.R.I.C.S. e os beats do colectivo Faca Monstro, entre outros) e inclui colaborações com Mark Stewart, Adrian Sherwood e Raz Mesinai.
Com os The Macumbas, HHY explora os ritmos do voodoo haitiano e as suas propriedades paranormais, a pressão sonora do dub, e os densos ambientes das bandas sonoras de John Carpenter. Os seus espectáculos ao vivo realizam uma invocação de dimensões simultaneamente musicais e fantasmagóricas.

HHY & The Macumbas irão editar em breve o 7'' "Legba/Houmfort" na editora Soopa.

Mais info:
www.myspace.com/hhyscumclash
www.soopa.org

INSTITUT FÜR FEINMOTORIK
Institut Für Feinmotorik (IFF) é um colectivo de artistas fundado em 1997 que trabalha em diferentes meios e formatos como fotografia, vídeo, música, ilustração e programação, organiza eventos artístico-culturais, conferências e workshops, além de publicar livros, discos, etc. Uma das actividades principais dos IFF, formado por um núcleo duro de quatro elementos, desenvolve-se no domínio da arte acústica. A partir do octogrammoticum (um set-up composto por oito gira-discos, quatro dj mixers e um mixer final) compõem paisagens sonoras mecânicas e rítmicas, cruas e minimais com tudo o que possa ser colocado entre os gira-discos e a agulha. Tudo, excepto discos: o trabalho acústico dos IFF é o resultado de um processo de exploração de gira-discos preparados, à la John Cage, com vários objectos domésticos que podem ser borrachas, papel autocolante, fitas adesivas, entre outros, e cujas vibrações são transcritas pelo pick up do instrumento em sonoridades muito diferentes das produzidas em contextos convencionais.

Os discos de vinil são substituídos por outros objectos manipulados de vários modos, numa interpretação muito especial do DJing, onde a precisão motora se enfoca no instrumento, e não no material prensado nos discos. Os sons surgem, assim, da negação do objecto designado para o meio em que trabalham e o que emerge desta abordagem conceptual é, de certo modo, um fenómeno emergente negativo, que os IFF intitulam de “negemergence”.

A música minimalista de ritmos mecânicos de IFF surge frequentemente no contexto da música electrónica, porém é profundamente mecânica. A aproximação a estruturas e códigos da música digital electrónica é feita através de um importante instrumento da música electrónica de dança dispensando, contudo, os discos. Os IFF esperam, apesar da abordagem conceptual algo elaborada, que o resultado audível tenha mérito próprio e possa ser apreciado quase musicalmente. O objectivo parece ser a pesquisa quase laboratorial dos fenómenos acústicos em torno do instrumento, através da concentração na redução dos meios, de acordo com o mote “To make almost nothing out of almost nothing.”*

As performances do grupo não têm a ver, portanto, com a reprodução e manipulação de sons através de laptops. Os sons rítmicos, dinâmicos e pulsantes nascem da interacção em tempo-real com os gira-discos e os objectos, numa abordagem próxima da improvisação, que resulta em algo como turntablism abstracto. Nenhuma peça musical dos IFF é reproduzível e, por isso, cada performance é um evento único, cuja estética é reconhecível graças à atitude purista radical do colectivo. Ao mesmo tempo, as apresentações são interpretadas como instalações de arte sonora.

* “Fazer quase nada a partir de quase nada.”

Mais info:
www.institut-fuer-feinmotorik.net

SIGMUND SKARD
Partindo de propostas e acções muito simples, a obra de Sigmund Skard remete-nos para novas atitudes e aspectos do ambiente quotidiano, materializadas na forma de esculturas, performances, vídeos, fotografias e documentos. À simplicidade dos meios assiste um carácter fortemente conceptual e minimalista, frequentemente cruzados com elementos políticos e humorísticos.

Sigmund Skard pretende assim com a sua obra discutir condições humanas, o que funciona e o que falha. No entanto, o âmbito desta discussão é constantemente posto à prova, na medida em que a obra de Skard amplia o campo de possibilidades das relações que estabelecemos com as situações e objectos do dia-a-dia. A forma como somos surpreendidos com a sua obra é simultaneamente um instrumento de activação de novas ligações ou de religações à vida quotidiana.

Sigmund Skard vive e trabalha em Valevåg e Oslo. Estudou na Escola de Artes de Rogaland e realizou o mestrado na Faculdade de Artes Visuais da Academia Nacional de Artes de Oslo.
Realizou exposições individuais e performances em galerias e museus em Oslo e Stavanger e participou em exposições colectivas em vários espaços de arte na Noruega, em Manilla (Filipinas) e em Barcelona (Espanha).

Mais info:
www.sigmundskard.com

TORI WRÅNES
Black Vulva
Wrånes trabalha com a sua voz, marcando a relação entre o corpo e a voz ao esconder a face, produzindo assim uma escultura e uma apresentação orgânica do corpo. Com sub e sobre-tons ela forma uma figura despersonificada que transporta consigo uma voz mística e lancinante – na tentativa de despertar o sujeito, corpo e essência do desejo.

Hello Glossolalia
Nesta performance Wrånes foca a sua atenção na nossa capacidade para criar uma presença desviada e intensificar o momento. A sua voz operada num sentido inverso ao do ciclo da vida, sai flutuando pela extremidade final do canal alimentar, para assim honrar o buraco negro, em que todos nós consistimos. Truth is embodied in the Ur-, original root. To comprehend, to grasp, we must move beyond the lineal, temporal to the supersensible via sound. (de Poem of zvuke de Andrej Belyj)

Zombie Requiem
O corpo está suspenso do telhado, rodando como uma figura do folklore trazida de volta à vida para encontrar um deserto de livre arbítrio.
A voz desaparece à medida que luz vai aparecendo.

A jovem artista Tori Wrånes terminou recentemente o seu mestrado na Academia Nacional de Artes de Oslo na Faculdade de Artes Visuais. O seu percurso passou também por estudos com a cantora e poetisa Sidsel Endresen e workshops com Meredith Monk.
Na formação de Wrånes encontramos já pistas sobre as formas que os seus trabalhos tomam. Em combinações várias eles fundem elementos de escultura, instalação, teatro, som, música ou performance. Através do uso de figurinos, elementos cénicos simples e exploração da voz, o corpo da artista torna-se assim a base de instalações escultóricas dotadas de uma voz que se expressa pelo canto, apresentadas ao público durante breves e perturbadoras performances.

Wrånes trabalha frequentemente um certo carácter trágico da aparição, o fascínio e assombro que podemos encontrar no inesperado. Combinando os vários elementos presentes nas suas obras, a artista explora o fenómeno de suspensão que estes efeitos produzem, conduzindo o espectador a um espaço e tempos singulares, num território onde co-habitam a tensão dramática e a comicidade, a encenção e a voz despojada.
Tori Wrånes apresentou performances no Stenersen Museum e Astrup Fearnley Museum of Modern Art em Oslo, Kuntraum Kreutzber e Bethanien Gallery em Berlim e Palais de la Découverte em Paris. O seu trabalho Himmelrote (Under Skyroot) resultou de uma encomenda de Stavanger – Capital Europeia da Cultura 2008.